PENSAI NAS COISAS DO ALTO

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

QUANTO MEDE SUA VIDA?



O conceito que temos de nós mesmos nem sempre representa a realidade. O pecado nos faz acreditar que somos grandes, fortes, insubstituíveis, importantes e de longa durabilidade. Porém, nada disso é verdade. Quanto mede sua vida? Qual a duração dela?

Esse conceito errado sobre nós mesmos não é algo recente. No salmo 39 Davi lutava contra esse mesmo problema. Por um momento ele sentia-se grande, importante, resistente à vida. Noutro momento, com a revelação de Deus, ficava insatisfeito com o fato de pensar mais do que convém a respeito de si mesmo. 

Davi então ora ao Senhor com profunda sinceridade. Destacamos os versos 4 a 7: “Mostra-me, Senhor, o fim da minha vida e o número dos meus dias, para que eu saiba quão frágil sou. Deste aos meus dias o comprimento de um palmo; a duração da minha vida  é nada diante de ti. De fato, o homem não passa de um sopro. Sim, cada um vai e volta como a sombra, Em vão se agita, amontoando riqueza sem saber quem ficará com ela. Mas, agora, Senhor, que hei de esperar? Minha esperança está em Ti”.

Você já orou assim? Já orou para Deus mostrar o quão pequeno e frágil você realmente é? Você quer saber a verdade a seu respeito ou prefere continuar iludido quanto à sua vida?

Por mais que neguemos esta verdade, ela permanece imutável. Por mais que tenhamos ótima saúde, ainda somos frágeis diante de Deus. Por mais que sejamos jovens, a duração da nossa vida é nada diante de dEle. Por mais que sejamos ricos, as riquezas não nos acompanharão após a morte e até mesmo antes dela, podemos perder tudo. E ainda que não as percamos, elas não satisfazem nosso coração.

Diante destas verdades divinas, Davi coloca sua esperança em Deus! Certo de que nada nesta vida é seguro, duradouro e digno de confiança, o salmista reconhece sua fragilidade, pequenez e insignificância e passa a viver somente para Deus. Agora, nem ele nem as suas posses lhes dão esperança. Seu coração foi tirado deste lugar instável e colocado na pessoa de Cristo, nossa rocha segura e firme. Qual é sua esperança? Que lição tremenda para todos nós!

Alexandre Pereira Bornelli

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

É POSSÍVEL TER TUDO E FICAR INSATISFEITO?



   
Existem certas ironias na vida. Uma delas é o fato de podemos ter tudo e não termos nada ao mesmo tempo. Quantas pessoas você conhece que estão nesta situação: possuem tudo o que um ser humano deseja nesta vida, mas, ao mesmo tempo, vivem insatisfeitas?

Salomão sentiu-se assim! Quando lemos Eclesiastes vemos que ele teve tudo o que o ser humano naturalmente deseja: dinheiro, sucesso, fama, relacionamentos e sabedoria. Contudo, no final de seu livro, capítulo 12 verso 13, lemos suas últimas palavras: “De tudo o que se tem ouvido, a suma é: Teme a Deus e guarda os seus mandamentos, porque isso é o dever de todo homem”. 

Noutras palavras, Salomão declara que tudo o que teve na vida não lhe não lhe fez realmente feliz e não trouxe significado para sua vida.  Ele teve tudo e sentiu-se vazio, por isso afirma que temor a Deus é o que mais importa nesta vida (Pv 1:7).

Outra passagem é o conhecido caso do fazendeiro registrado em Lucas 12. Ali vemos um homem que teve a maior colheita da sua história. Não se preocupava com as contas do fim do mês. Estava com os celeiros abarrotados. Com celeiros transbordantes mas com seu coração vazio de Deus. 

Não havia ali temor a Deus, não havia ali um coração que amava ao Senhor mais do que todas as coisas. Ao contrário, amava e confiava em suas riquezas. Morreu sem desfrutar do que lutou por conquistar a vida inteira.

O filho pródigo não fez diferente. Preferiu sair de casa e curtir a vida como a maioria dos jovens sonham em fazer. No começo foi só alegria. Logo depois, o prazer transitório do pecado deu lugar ao sofrimento e ao desespero. Reconheceu seu pecado diante de Deus e voltou arrependido para casa.

Tais personagens bíblicos foram pessoas que tiveram tudo, mas que não tinham nada ao mesmo tempo. Acreditaram na propaganda enganosa do pecado que lhes prometeu felicidade sem Deus. Aprenderam que a vida sem Cristo oferece apenas prazeres transitórios. Moisés sabendo disto trocou todas as suas regalias temporais no palácio de Faraó para sofrer com o povo de Deus! (Hb 11: 24 a 26)

Qual é a sua situação? Você anda à procura de significado para sua vida no dinheiro, no sexo, nas festas, na fama, nas riquezas, no lazer, em viagens, no casamento, nos filhos, na comida e bebida? Você quer tentar sucesso andando pelo mesmo caminho onde milhares de pessoas já voltaram arrependidas? Você pensa que com você tudo vai ser diferente? Tenha certeza que não vai. Provérbios 14:12 diz que “há caminhos que ao homem parece reto, mas o fim deles é a morte”.

É possível que você tenha ou venha a ter tudo o que deseja, mas continuará não tendo nada se não amar a Deus mais do que a estas coisas. O apóstolo Paulo, aprendeu esta lição e nos ensina em Filipenses 4:4, quando diz: “Alegrai-vos no Senhor; outra vez digo, alegrai-vos”.  E nos versos 11 a 13, conclui: “Digo isto, não por causa da pobreza, porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Tanto sei estar humilhado, como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias já tenho experiência, tanto de fartura, como de escassez; tudo posso naquilo que me fortalece”. 

Não é a riqueza ou a pobreza que trazem desgraça ou felicidade. Podemos ser ricos e humildes diante de Deus ou pobres e arrogantes e vice-versa. A questão está em amarmos a Deus acima de tudo e buscar nesse relacionamento pessoal com Ele, o significado da nossa existência, ou seja, viver para a Sua Glória, amando-O pelo que Ele é! Nossa alegria está em Deus. Alegrai-vos no Senhor!

ALEXANDRE PEREIRA BORNELLI

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

EVIDÊNCIAS DO AMOR DE DEUS.



Ter a certeza de que Deus nos ama  é algo perturbador em muitos corações. Como saber se somos alvos do amor de Deus? Qual a segurança que podemos ter para dizer: agora sei que Deus me ama? 

O fato é que o grupo que deseja desfrutar do amor de Deus é muito maior do que o grupo que deseja amá-lo. Ser amado por Deus, para muitas pessoas, é o mesmo que ter sucesso material, saúde inabalável, negócios prósperos e etc. Isto, porém, é um engano semeado em muitas igrejas. A Bíblia não endossa tal afirmativa. Pelo contrário, Jesus ensina em João 16:33 que passaríamos por aflições.

Uma pessoa pode desfrutar de todas as regalias materiais e ser alguém que não tem nenhum relacionamento com Deus, alguém que despreza o Senhor. Tais pessoas são arrogantes e não permanecerão no dia do juízo final. Esta é a mensagem do Salmo 5: 5: “Os arrogantes não permanecerão à tua vista; aborreces a todos que praticam iniquidade”. 

João Calvino já afirmou nas Institutas, vol. 2, pag 26: “Se alguém quiser julgar pelas coisas presentes quem Deus ama e quem Deus odeia, trabalhará em vão, visto que a prosperidade e a adversidade são comuns ao justo e ao ímpio, ao que serve a Deus e ao que lhe é indiferente. De onde se infere que nem sempre Deus declara amor aos que ele faz prosperar temporalmente, como tampouco declara ódio aos que ele aflige.”

Bens materiais, por si só, nada significam para provar o amor Deus por alguém. O bem maior e eterno é crer em Jesus e viver com esta certeza: meus pecados foram perdoados, agora eu sou filho de Deus (João 1:12)!

Portanto, eis algumas evidências do amor de Deus por nós: a) como resposta a este amor, também O amamos (I João 4:19); b) guardamos os Seus mandamentos (João 14:21), c) amamos a Sua Palavra (Sl 119:97)  e; d) estamos sendo libertos do amor ao mundo e de suas concupiscências (I João 2:15 a 17).

 Aos que creem em Jesus Cristo, desfrutam da segurança do amor de Deus gerada pelo Espírito Santo que testemunha ao nosso espírito que somos filhos de Deus (Rm 8:16). E este amor é incondicional e invariável como afirma Philip Yancey: "Não há nada que possamos fazer para Deus nos amar mais; não há nada que possamos fazer para Deus nos amar menos".

Alexandre Pereira Bornelli

segunda-feira, 29 de julho de 2013

MEIA VOLTA, VOLVER.



Não é fácil parar de fazer algo, por simples que seja, porque isso implica em reconhecer que estamos errados. Lutamos por provar que estamos certos o tempo todo. Isto é fruto do pecado do orgulho enraizado em nós.

Ninguém, por conta própria, tem a capacidade de discernir seus próprios pecados e voltar-se para Deus. Sem uma séria reflexão diante da Palavra, permanecemos cegos e ignorantes a nosso respeito.

Todavia, quando estudamos as Escrituras, ela exerce em nós uma dupla função:  revela-nos a pessoa de Cristo e revela nossa condição espiritual (Tg 1:23 a 25).

No Salmo 119:59, vemos um claro exemplo disto. Diz o salmista: “Considero os meus caminhos e volto os meus passos para os teus testemunhos”.

Duas coisas são fundamentais: considerar e voltar. Voltou porque considerou e considerou disposto a voltar. Muitos consideram apenas especulativamente, sem interesse em obedecer.  Ficam tristes com o diagnostico da Palavra, mas continuam no mesmo procedimento. Isto é apenas remorso.

Entretanto, o caso do salmista é diferente. Após examinar sua vida diante da Palavra, ele volta seus passos em direção a Deus. Isto é arrependimento.

Isso nos mostra que arrependimento é algo visível.  Não podemos dizer que arrependemos se continuamos deliberadamente na mesma direção, fazendo as mesmas coisas. Arrependimento é dar as costas.

Considerar nossos caminhos  é um dever constante que precisamos cumprir se queremos realmente ser discípulos do Senhor.

Portanto, sem que isso aconteça, pode ter acontecido tudo, menos o verdadeiro arrependimento.

Alexandre Pereira Bornelli

quinta-feira, 18 de julho de 2013

MULTIDÃO É SINÔNIMO DE ESPIRITUALIDADE?



Vivemos numa época que atribui excessivo valor a aglomerações. Quanto mais gente nas ruas protestando, mais força o povo tem para conseguir seus objetivos. Mas, aglomeração de cristãos tem a mesma força diante de Deus? Quanto mais pessoas juntas, melhor? Ou, na linguagem para alguns entenderem: quanto mais pessoas aglomeradas, maior a bênção?

Infelizmente, muitos ainda pensam que Deus é semelhante às autoridades humanas que podem ser impressionadas, vencidas ou constrangidas pelos barulhos de manifestações, movimentos organizados, muita música e aparência de espiritualidade. 

Basta vermos esses movimentos e aglomerações de pessoas com o nome de “noite abençoada” onde milhares de pessoas agitadas demonstram espiritualidade coletiva. É possível haver ali pessoas bem intencionadas, mas confusas e mal orientadas a buscar realmente a Deus. Todavia, a maioria ali talvez nunca tenha buscado realmente a Deus individualmente. O trocadilho é pobre, mas oportuno. Tais movimentos podiam ser nomeados de “noite bem suada”, visto a quantidade de pessoas agitadas num mesmo lugar. 

Onde somos ensinados na Palavra de Deus a nos organizarmos com movimentos nas ruas, passeatas, grandes shows e marchas para mostrar a força da nossa fé? Aliás, Jesus nunca se impressionou com as multidões. Multidão nunca foi sinônimo de espiritualidade. Muitos desses movimentos, senão todos, infelizmente, são cópias que a igreja faz de eventos seculares. 

No conhecido caso de Atos 2, no dia de pentecostes e da mensagem do apóstolo Pedro em seguida, vemos claramente acontecimentos que não se vê em movimentos religiosos atuais. 

Nos versos 37, lemos que ouvindo estas coisas, foram levados a refletirem sobre suas próprias vidas; 38 - Pedro disse: Arrependei-vos e sejam batizados para remissão dos pecados; 40 – Pedro exortava: Salvai-vos desta geração perversa; 42 – Perseverança na doutrina dos apóstolos e na comunhão e orações; 43 – em cada alma havia temor; 44 – todos os que creram estavam juntos; 45- foram salvos do materialismo egoísta; 46 – diariamente perseveraram unânimes no templo, tinham alegria verdadeira e por fim, verso 47 – louvor a Deus.

Não queremos induzir a repetição deste evento histórico. A lição é para tirarmos princípios bíblicos reguladores do que a verdadeira presença de Deus é capaz de fazer nas pessoas.

Portanto, o que importa não é o número de pessoas reunidas, não é o choro, a euforia, cartazes, shows ou coisas do gênero. Isso, em si mesmo, nada significa para Deus, a despeito de muito impressionar a cidade, os jornais e as pessoas.  

A questão a ser considerada é que a real presença de Deus transforma-nos. Onde houver pregação fiel da Palavra, arrependimento genuíno dos pecados, exortação para sermos salvos deste mundo perverso, perseverança na doutrina bíblica, comunhão, oração, temor a Deus, alegria real, libertação do amor ao dinheiro e louvor somente a Deus, podemos dizer que Deus esteve presente e o povo então foi abençoado, mesmo sem haver barulho e multidão eufórica. 

Como já disse Samuel ChadwicK: "A pior maldição que um povo pode sofrer é ter uma religião movida à base de mera emoção e sensacionalismo. A ausência de realidade espiritual já é trágica; mas o aumento da falsa espiritualidade é pecado mortal"



Precisamos ter cuidado com movimentos em "nome de Jesus", porque podemos estar usando Seu nome em eventos que Ele jamais participaria se estivesse fisicamente hoje presente entre nós. Ser abençoado é andar nos caminhos de Deus e não, criar nossos próprios caminhos pedindo que Ele nos abençoe.

Alexandre Pereira Bornelli